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Sobrecarga do familiar cuidador da pessoa dependente em situação paliativa: estudo descritivo

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Escola Superior de Saúde Norte Cruz Vermelha Portuguesa

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Nas sociedades atuais cada vez mais indivíduos assumem o papel cuidadores, surgindo, ao mesmo tempo, contextos de stress e sobrecarga que carecem de uma identificação e tratamento dirigido às necessidades de quem cuida com vista à prevenção do risco de danos em diversas dimensões da saúde. O cuidado à pessoa dependente torna-se um factor de sobrecarga que perturba ou ameaça a rotina da pessoa que assume o papel de familiar cuidador, deixando-a mais vulnerável. Assim, cuidar de uma pessoa em situação de doença incurável ou grave é uma tarefa extremamente desafiadora tanto para a pessoa quanto para o familiar cuidador que a assiste. Ser familiar cuidador, exige lidar com diversas mudanças da qualidade de vida, incluindo limitações fisicas, questões psicossociais, económicas e financeiras, além de situações de dependência que podem ser temporárias ou permanentes, que exigem um constante reajuste de papéis. A sobrecarga do familiar cuidador, pode intensificar-se quando a pessoa é diagnosticada com uma doença incurável sendo influenciada por diversos factores, mas principalmente pelo estado de saúde da pessoa que está em Cuidados Paliativos. O objectivo deste estudo foi avaliar o nível de sobrecarga do familar cuidador da pessoa dependente em situação paliativa, internado no Serviço de Cuidados Paliativos de uma ULS. Tratou–se de um estudo quantitativo, descritivo, exploratório. A população do estudo envolveu 26 familiares cuidadores de pessoas internadas no Serviço de Cuidados Paliativos com dependência no autocuidado. A informação foi recolhida, tratada e submetida a análise estatística descritiva através do aplicativo informático Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), Inc., Chicago, IL) versão 26 da IBM®. Os resultados indicam que 65% dos cuidadores familiares experimenta sobrecarga intensa (>56). Os cuidadores do sexo feminino, com menos de um ordenado mínimo e sem apoio no cuidado apresentam níveis de sobrecarga significativamente superiores em determinados aspectos do cuidado do familiar dependente. As mulheres reportam ter perdido mais o controlo da sua vida depois da doença do seu familiar e revelaram maior insegurança acerca do que deve fazer (p<0,05). Os cuidadores familiares com menos de um ordenado mínimo registam maiores níveis de exausto, pois sentem de forma significativa que o seu familiar solicita mais ajuda do que aquela que realmente necessita (p<0,05). Os cuidadores com apoio sentem-se menos sobrecarregados, têm melhores relações sociais e menos receio quanto ao futuro do seu familiar p<0,05). Verificou-se que as consequências negativas do ato de cuidar, especialmente a sobrecarga, estão associadas à redução da qualidade de vida do familiar cuidador. Por isso, avaliar essas repercussões é essencial para a prevenção e o tratamento adequado. Devem ser promovidas estratégias que previnam os impactos negativos do papel de cuidador e incentivar a saúde através de intervenções que estimulem o autocuidado, o apoio social e o bem-estar.

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