Publicação: Processo transacional do sobrevivente da doença crítica e família
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Resumo
As elevadas taxas de sobrevivência da pessoa em situação crítica nos últimos anos são reflexo da excelência, sofisticação e atualização incessante do conhecimento. O internamento e os cuidados prestados em contexto de unidade de cuidados intensivos podem ser longos, múltiplos e invasivos, pelo que podem deixar sequelas, tanto para a pessoa em situação crítica como para os seus familiares/cuidadores. O desenvolvimento de sequelas que afetam a qualidade de vida, durante a vivência de um processo complexo de transição saúde/doença, enfatiza a importância de uma cultura direcionada para o acompanhamento dos doentes e seus familiares durante e após o internamento em cuidados intensivos. Desta forma, o enfermeiro, como elemento facilitador nos processos de transição, potencia uma recuperação funcional refletindo-se na melhoria da qualidade de vida e reinserção social. O estágio de enfermagem à pessoa em situação crítica II realizado em contexto de Cuidados Intensivos e em Consulta de Follow-up pós-internamento em Cuidados Intensivos mostraram-se oportunos para melhor compreender todo o percurso da pessoa em situação crítica, com uma visão abrangente das necessidades sentidas desde a admissão, à alta hospitalar e recuperação após a alta. No seguimento da temática, foi desenvolvido o estudo de investigação como objetivo de caracterizar o processo transacional do sobrevivente da doença crítica e família. Este trabalho tem como objetivo caraterizar o processo transacional do sobrevivente da doença crítica e família. Insere-se num estudo de investigação mais abrangente denominado “Selfcare@Home: Myself_from critical care to home care” com vista ao desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica de acompanhamento à distância da pessoa pós-internamento em cuidados intensivos e seus familiares/cuidadores. Assente num estudo quantitativo, descritivo, de caráter longitudinal do tipo prospetivo, realizou-se a colheita de dados no período de 07 de dezembro de 2023 a 22 de setembro de 2024, com recurso a um questionário aplicado em cinco momentos distintos: na admissão em unidade de cuidados intensivos; na alta hospitalar; um, três e seis meses após alta hospitalar. A amostra foi constituída por 40 pessoas adultas internadas em unidade de cuidados intensivos com consentimento livre de participação. O presente trabalho de investigação contribuirá para o desenvolvimento de métodos de acompanhamento, representando uma estratégia de melhoria progressiva da qualidade dos cuidados direcionados à pessoa pós-internamento em cuidados intensivos e suas famílias/cuidadores.
