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Participação de Oficiais do Exército Português nos Telejornais sobre a Guerra da Ucrânia:

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Os meios de comunicação social têm desempenhado um papel determinante na construção da imagem das Forças Armadas e na formação da opinião pública, especialmente em contextos de conflito. A guerra na Ucrânia intensificou a visibilidade mediática dos militares do Exército Português nos telejornais, ilustrando uma colaboração com os meios de comunicação social e contribuindo com conhecimento técnico para o esclarecimento da população. Com esta mediatização dos assuntos da Defesa, a exposição pública dos militares passa a integrar o ecossistema comunicacional em tempo real. Torna-se, por isso, relevante estudar o papel dos militares enquanto comentadores e compreender a perceção que os oficiais superiores do Exército Português têm sobre as intervenções dos seus pares, articulando-a com a visão dos profissionais de comunicação. Assim, o objetivo geral desta investigação consiste em compreender as visões que emergem a propósito dos comentários militares sobre a guerra da Ucrânia, no espaço noticioso dos telejornais. Recorreu-se a uma metodologia mista, de âmbito quantitativo e qualitativo, do seguinte modo: para mapear a presença dos militares nos telejornais, quantificou-se o respetivo tempo de antena; para aferir a experiência da exposição mediática e da colaboração com os media, aplicaram-se entrevistas semiestruturadas a militares e a jornalistas; por fim, aplicou-se um inquérito por questionário aos oficiais do Exército no intuito de conhecer o que pensam da exposição mediática dos seus pares. Os resultados identificam forte convergência entre militares e jornalistas, quanto à mais-valia dos comentários militares, que pela vertente técnico-estratégica contribuem para contextualizar e esclarecer o panorama da guerra. Mesmo sem estarem no ativo, os militares entrevistados mantêm uma forte consciência institucional, reconhecendo que ponderam a sua discursividade, mas sem comprometer a verdade e a responsabilidade cívica. A visão dos pares afigura-se igualmente positiva, realçando-se a necessidade de salvaguardar a imparcialidade, clareza técnica e sentido de missão. De entre as sugestões para melhorar as estratégias de comunicação institucional, destacamos a valorização oficial da função de comentador militar, reconhecendo o seu contributo para a compreensão dos assuntos de Defesa, os quais têm adquirido nova centralidade face às ameaças e riscos emergentes. Face a este cenário, torna-se imperativo reforçar a capacitação dos militares no domínio da comunicação pública, bem como estabelecer orientações estratégicas claras que enquadrem a sua presença mediática. As conclusões deste estudo oferecem fundamentos v relevantes para a definição de futuras diretivas de comunicação institucional, promovendo uma intervenção pública mais coerente, eficaz e alinhada com os valores, a missão e a imagem estratégica do Exército Português.

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