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Memória dos próximos: aproximação a proposta de Paul Ricoeur. Um outro olhar sobre as fotografias de Nan Goldin.

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EVOLUIR - Associação Cultural e Juvenil / Universidade do Porto

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O filósofo francês Paul Ricoeur na sua obra final La mémoire, l’histoire, l’oubli, na primeira parte consagrada à memória e aos fenómenos mnemónicos, propõe que aos dois pólos habituais, memória individual e memória colectiva, disputando a resposta à pergunta de quem é a memória?, juntemos um plano intermédio de referência: o dos próximos. Porque consideramos pertinente, e legítima, tal proposta, ensaiamos neste artigo uma perspectiva de análise das fotografias de Nan Goldin diferente da habitual, que costuma realçar a ligação entre a vida da fotógrafa americana – a memória pessoal – e a sua obra. Começamos por invocar o modelo da fotografia de família, e álbuns de família, porque a família é o exemplo mais evidente daqueles que nos são próximos, comentando algumas das características mais evidentes que a caracterizam. Na abordagem que em seguida fazemos da obra de Nan Goldin, tomando como ponto de partida algumas das considerações de Paul Ricoeur comentamos algumas das séries de fotografias mais conhecidas da fotógrafa, em diversos momentos da sua carreira. Embora recorramos também a outras fontes, de modo a evidenciar melhor o nosso ponto de vista apoiamo-nos fundamentalmente em diversas declarações e entrevistas concedidas por Nan Goldin, de modo a demonstrar que é possível encarar grande parte do seu trabalho como a narrativa daqueles que lhe são próximos.

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TRINDADE, Carlos - "Memória dos próximos: aproximação a proposta de Paul Ricoeur. Um outro olhar sobre as fotografias de Nan Goldin.", Trama, nº 1 "Memória", Junho de 2010, pp. 29-37

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