Publicação: Consequências e impactes dos eventos de precipitação extrema nas operações de proteção e socorro. O caso do Baixo Mondego.
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Resumo
As caraterísticas da bacia hidrográfica do Rio Mondego, conjugada com os fenómenos de
precipitação, por vezes, extrema que aí se verificam, sempre potenciaram a ocorrência de cheias e
inundações passíveis de afetar as populações ribeirinhas no distrito de Coimbra, sendo muitos os
relatos que dão conta das circunstâncias e dos impactes negativos destes eventos nas pessoas, nos seus
bens e no ambiente.
A necessidade de defesa do Baixo Mondego cedo motivou a procura de soluções para minorar os
prejuízos das inundações. A construção das barragens da Aguieira, Raiva e Fronhas, estruturas com
funções hidroagrícolas e hidroelétricas, abastecimento para consumo doméstico e controlo de cheias, e
dos diques que regularizam os caudais do rio, corresponderam às necessidades e anseios das
populações e afiguraram-se eficazes durante muito tempo na proteção e segurança das pessoas e das
suas atividades socioeconómicas.
Os eventos de 2000, 2001, 2016 e, principalmente, de 2019 vieram demonstrar que o risco residual
nulo é um objetivo utópico. A sua frequência e severidade tenderão a aumentar em função de
episódios de precipitação extrema, chuva prolongada e das alterações climáticas em curso,
percebendo-se, igualmente, que a ação antrópica tem contribuído para que o impacte negativo das
inundações aumente perigosamente.
Aquelas medidas de natureza estrutural continuam a ser fundamentais para a redução do risco de
cheias e inundações. O que os eventos recentes nos mostram, contudo, é a necessidade de, na
configuração atual, serem complementadas com o desenvolvimento de atividades não-estruturais no
âmbito do ordenamento do território, gestão da emergência e envolvimento das comunidades locais
em todo o processo de gestão do risco, informando-as e sensibilizando-as para os riscos a que estão
expostas e para que se assumam verdadeiramente como o primeiro agente de proteção civil na
construção de comunidades mais resilientes à ameaça.
A gestão do risco de cheias e inundações implica, portanto, a necessidade de desenvolver diferentes
perspetivas de atuação. Por um lado, ações de redução do risco – prevenção, mitigação e preparação –
e gestão da crise – aviso, alerta e resposta.
A presente dissertação pretende estabelecer os principais aspetos que descrevem a realidade da
problemática das cheias e inundações no Baixo Mondego desde uma perspetiva da proteção civil, as
suas causas e consequências e com base no histórico das ocorrências, fragilidades vivenciadas e
experiencia profissional do mestrando propor outras medidas tendentes a diminuir a ocorrência de
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inundações (probabilidade ou perigosidade) e a exposição dos elementos em situação vulnerável
(vulnerabilidade), designadamente no que respeita a atividades no domínio da previsão, monitorização
do controlo de cheias na Barragem da Aguieira (nível de abastecimento da albufeira), alerta ao sistema
de proteção civil e ao aviso precoce às populações para o estado de preparação ou evacuação das áreas
potencialmente inundáveis.
