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Literatura infantil - propostas didáticas no âmbito do 1º CEB

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No decorrer destes cinco anos de formação superior, passei por vários locais e níveis de ensino, desde o ensino pré-escolar, passando pelo 1ºciclo do ensino básico, até ao 2ºciclo do ensino básico. A licenciatura que optei por envergar foi Educação Básica, onde experienciei estes três ciclos de ensino. Posteriormente senti a necessidade de aprofundar conhecimentos, estratégias e mais sobre a área da educação, decidi então focar-me em 1ºCEB e 2ºCEB, nas áreas de Português, História e Geografia de Portugal, com o objetivo de atingir o grau de mestre, surgindo nesse sentido, a elaboração deste Relatório Final, tal como prevê o Decreto- Lei n.º 79/2014. Observei várias formas de ensinar, motivações e estímulos distintos, múltiplas crianças com necessidades diferentes, com percursos opostos que nem sempre estão predispostas e envolvidas na aprendizagem em simultâneo, mais propriamente no que se refere à leitura e por consequência uma inibição na forma como se exprimem, escrevem, leem e se relacionam umas com as outras. Uma das características transversais à maior parte dos alunos, com os quais tive contacto, era a resistência à leitura, o quase inexistente contacto com livros, a falta de hábito de ler e isso reflete-se obviamente na fluência da leitura, na própria compreensão daquilo que se lê e contribui como um entrave para o sucesso da criança a vários níveis. Ao longo do tempo, fui tentando identificar as razões que contribuíam para que houvesse esta falta de motivação face à leitura, acabei por me aperceber de que poucos alunos tinham o livro presente no seu quotidiano, a leitura estava associada a regras, a horários e era quase instaurada como um dever, não havia fruição da história, do livro e tirando algumas exceções, o contacto com a literatura infantil, estava associada a marcas, a desenhos animados e a traduções pobres. A partir daí, e anexando o meu enorme gosto pela literatura infantil, a minha vontade de apresentar a esta turma, o livro, como algo surpreendente, que os pudesse cativar e viesse a assumir um papel de destaque na vida destas crianças e por consequência no ambiente familiar que as rodeia, começou por ser o impulso deste projeto. Tinha como objetivo principal a implementação de hábitos de leitura, permitir ao livro como objeto, que aos poucos fosse falando por si, que passasse a ser algo útil, para isso, dei-lhes a liberdade de manipular, manusear, de experienciar e de conhecerem verdadeiramente um livro, que contasse uma história com início, meio e fim, e na melhor das hipóteses com que se identificassem e os fizesse viajar sem sair do mesmo lugar. “Formar leitores é ensinar a ler nas linhas, nas entrelinhas e para além das linhas, isto é, compreender os diversos níveis de significado de um texto. Formar leitores, ensinando a ler, supõe necessariamente o trabalho, o prazer e a emoção da leitura.”, (Ribeiro, 2018). Através deste trabalho procurei compreender, de que forma é que a Literatura Infantil poderia enriquecer este grupo de alunos e perceber se através das atividades desenvolvidas, as crianças estariam mais motivadas para a leitura e teriam vontade de ler sem que isso lhes fosse imposto, “há que admitir que as crianças raras vezes irão procurar espontaneamente livros (...), se alguém – pais, professor, colega – não as incitar” (Georges Jean (1995), citado por Ribeiro (2018), em “A casa do João” e a partir daqui surge a seleção dos atores que iriam intervir e participar neste projeto, que não seriam apenas os 26 alunos do 2ºano, mas também, os familiares/pais, de cada um deles. Coloquei em prática três estratégias que se complementaram e foram surgindo consoante as necessidades ao longo do tempo, a primeira e decisiva estratégia foi a “Livro a livro, conhece a criança o Mundo”, em que tinha como principal objetivo, proporcionar momentos dedicados à partilha, ao sentido crítico, à discussão de temas que nem sempre são passíveis de ser ensinados, e foi através desta atividade que foi possível a evolução de todo o projeto. A “Biblioteca de turma”, surge primeiramente como um complemento à estratégia anterior, a necessidade de terem ao dispor os livros que eram trabalhados segundo a “Livro a livro, conhece a criança o Mundo”, da curiosidade que adveio Mestrado em Ensino do 1ºCEB e de Português e História e Geografia de Portugal no 2ºCEB desses momentos e ainda da carência que a escola tinha a nível da oferta de livros, não havia, além de uma estante velha, com manuais escolares e livros que se contavam pelos dedos das mãos, a possibilidade de pegar num livro e levá-lo para casa, atrevo-me a dizer que não existia na escola uma biblioteca escolar a que os alunos pudessem recorrer ou que os pudesse cativar para a leitura, esta realidade, levou à construção de um espaço para as crianças, que estava disponível para todos, construída por todos, que além de disponibilizar uma diversidade de livros, de temáticas a tratar, contribuiu para promover um sentido de responsabilidade e era no fundo a representação real, palpável deste projeto, a “Biblioteca de Turma”, do 2ºano. A leitura na escola passava a ser uma atividade espontânea e frequente, mas se este projeto se restringisse apenas ao meio escolar, o seu tempo de vida e o alcance que poderia atingir, seria limitado. Neste seguimento, a inclusão dos encarregados de educação faria todo o sentido, se o ambiente familiar proporcionasse hábitos de leitura, “ Um dos mais importantes resultados do movimento da reforma educativa pode ser o envolvimento dos pais na escola” (Davies, 1998, p.31, citado por (Correia, Mendes e Santos, 2002, p.27), a influência e o ato de ler deixaria de ser algo da escola e passaria a ser o quotidiano do aluno, ergue-se a criação da atividade, “A hora do conto”, que envolveu os familiares das crianças no projeto, a meu ver, seria um fator impulsivo, teria mais alcance se o projeto não tivesse barreiras e esta relação escola-família só traria vantagens para os alunos. Os atores que fizeram parte desta investigação foram 26 alunos, do 2ºano, turma na qual desenvolvia a prática educativa referente ao 1ºciclo, os respetivos encarregados de educação e a professora titular da turma no momento, ao longo do ano letivo 2016/2017. A recolha de dados foi sendo feita ao longo da implementação do projeto, com a aplicação de vários questionários para fazer um levantamento dos interesses dos alunos, para saber se as atividades estavam a resultar e perceber a envolvência dos alunos e familiares nas mesmas. A adesão da turma face às tarefas propostas foi muito positiva e notava-se claramente uma motivação que não era comum em momentos de leitura, antes da implementação do projeto. Eles próprios sugeriam atividades e responderam positivamente, face a todas as etapas deste estudo. Os familiares não se predispuseram de imediato, contudo, ao longo do tempo e com o interesse que as crianças demonstraram, foram cada vez mais participativos e contribuíram consideravelmente para o sucesso da criação de hábitos de leitura no público-alvo.

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